Ataques com drones reduzem produção de diesel nas principais refinarias da Rússia

Ataques com drones reduzem produção de diesel nas principais refinarias da Rússia

Os ataques com drones contra instalações de energia da Rússia provocaram uma redução significativa na produção de diesel em algumas das principais refinarias do país. Segundo cálculos da Reuters, baseados em dados de participantes do mercado de combustíveis, metade das seis maiores unidades produtoras de diesel russas interrompeu completamente ou reduziu as atividades em setembro.

A situação ocorre em um momento de pressão sobre o mercado internacional de combustíveis. A redução da produção russa afeta tanto o abastecimento doméstico quanto as exportações, enquanto outros conflitos também interferem na oferta global de derivados de petróleo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionou o cenário no domingo e pediu ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, que interrompesse os ataques contra a infraestrutura russa de diesel. Segundo Trump, as ações estavam provocando uma escassez do combustível que está “prejudicando o mundo”.

A Ucrânia, por sua vez, afirma que as refinarias russas são alvos militares legítimos. O país também enfrenta ataques frequentes da Rússia contra sua própria infraestrutura energética.

Como parte de suas movimentações estratégicas, empresas vem busca ingressar no varejo de combustíveis por meio do lançamento de uma rede de postos. A Terrana, distribuidora de combustíveis, estuda entrar para esse modelo de franquias voltado a municípios de médio e grande porte, e visa conectar distribuição e varejo dentro de uma mesma cadeia.

Refinarias operam abaixo da capacidade

Seis unidades concentram aproximadamente metade da produção de diesel da Rússia, conforme dados do mercado. A lista inclui a refinaria de Omsk, Kirishi, Taneco, a refinaria de Volgogrado, NORSI e Perm.

Entre essas instalações, Kirishi foi totalmente paralisada. Já Volgogrado e NORSI estão funcionando com aproximadamente um quarto de suas respectivas capacidades nominais, segundo fontes consultadas pela Reuters.

Com a redução das operações, a produção de diesel nessas unidades está várias vezes abaixo dos níveis considerados normais. A Taneco também foi atingida por drones no domingo. Até o momento, porém, fontes do mercado disseram que ainda não era possível determinar a extensão dos danos provocados pelo ataque.

O cenário levou Moscou a adotar restrições às exportações de combustíveis. As medidas atingiram gasolina, diesel e combustível de aviação, em uma tentativa de preservar o abastecimento interno diante da queda da produção.

A restrição ocorre enquanto o setor agrícola também enfrenta dificuldades em diferentes mercados. Nos Estados Unidos, o diesel é utilizado em caminhões, trens, navios e equipamentos agrícolas. O preço médio nacional do combustível ultrapassou US$ 6 por galão na quinta-feira, pela primeira vez, segundo o site GasBuddy.

Exportações russas perdem espaço

A queda na produção das refinarias tem reflexos diretos sobre o volume de diesel disponível para exportação. Antes da entrada das restrições, as exportações russas de diesel ficaram abaixo de 1 milhão de toneladas em junho, segundo estimativas de operadores. Considerando diesel e gasóleo, o volume chegou a aproximadamente 1,8 milhão de toneladas.

Os números são inferiores aos registrados um ano antes, quando as refinarias russas operavam normalmente. Naquele período, as exportações de diesel alcançavam cerca de 2,5 milhões de toneladas por mês. Quando incluído o gasóleo de qualidade inferior, o volume ficava entre 3,3 milhões e 3,4 milhões de toneladas.

A diferença mostra a dimensão da redução registrada no comércio externo de combustíveis russos. Com menos produto disponível para exportação, compradores tradicionais precisam lidar com alterações na oferta e nas rotas internacionais de abastecimento.

Entre esses compradores estão Turquia e Brasil. De acordo com dados da LSEG, os dois países vinham sendo os principais destinos do diesel russo durante vários meses. Antes da entrada em vigor das restrições, em julho, os mercados turco e brasileiro recebiam pelo menos metade das cargas disponíveis.

Ataques ampliam pressão sobre o mercado

A Agência Internacional de Energia, com sede em Paris, também acompanha os efeitos dos ataques sobre o setor de refino russo. Segundo a entidade, nos primeiros oito meses de 2026, uma refinaria russa foi atingida com sucesso, em média, a cada três dias.

A frequência dos ataques acrescenta incerteza à capacidade das refinarias de manter níveis regulares de produção. Para o mercado, a consequência envolve não apenas o volume produzido dentro da Rússia, mas também a disponibilidade de derivados para outros países.

O quadro se soma aos impactos do conflito no Irã sobre o abastecimento global de combustíveis. Assim, a redução da produção russa ocorre em um mercado que já enfrenta mudanças nas condições de oferta e demanda.

Para empresas que dependem de diesel, alterações no comércio internacional podem afetar custos de transporte, operações agrícolas, logística e formação de preços. No caso do Brasil, a redução das compras disponíveis da Rússia também coloca atenção sobre a composição das fontes utilizadas para atender à demanda doméstica.

A evolução dos ataques, a retomada das refinarias afetadas e as decisões de Moscou sobre exportações serão fatores relevantes para determinar como o mercado de diesel se comportará nos próximos meses.

Fonte: Portal Terra
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/a-gasolina-e-uma-mistura-combustivel-gasolina-oleo-combustivel-motor-diesel-motor-diesel-liquido-mistura-viscosa-gas-inflamavel-preto-ouro_44278603.htm