Às vésperas da Black Friday 2025, o Procon-SP emitiu um aviso público chamando atenção para o uso crescente de crédito caro como forma de financiar compras durante as promoções. Segundo levantamento divulgado pelo Jornal DCI, a taxa média do empréstimo pessoal chegou a 8,16% ao mês, o maior patamar dos últimos anos.
Além do cenário de juros elevados, o órgão de defesa do consumidor observa um comportamento recorrente: consumidores que, motivados por descontos agressivos, recorrem a crédito rápido, mas pouco informado. O alerta busca reduzir o risco de endividamento acelerado em um período marcado por impulsividade de compra.
O Procon reforça que o alerta não tem objetivo de desestimular compras, e sim promover decisões financeiras mais conscientes em um momento de grande apelo comercial.
Como funcionam os empréstimos pessoais e seus custos
Os empréstimos pessoais, principal ferramenta usada por consumidores para compras de ticket mais alto, são produtos financeiros com juros elevados, especialmente quando contratados por canais digitais, que operam com processos mais rápidos e menos criteriosos. A taxa média de 8,16% ao mês representa um custo anual superior a 160% ao ano, considerando juros compostos.
Na prática, um crédito de R$ 2.000 contratado para aproveitar a Black Friday pode ultrapassar R$ 5.200 ao final de 12 meses, dependendo da taxa aplicada.
Outro ponto crítico é a falta de transparência. Em muitos casos, instituições financeiras apresentam apenas a parcela mensal, sem detalhar a taxa efetiva anual (CET) — o que dificulta a comparação entre ofertas.
Estratégias para evitar dívidas durante promoções
Para aproveitar as promoções sem comprometer o orçamento, especialistas recomendam planejamento prévio, análise de prioridades e atenção ao custo total das compras.
Entre as práticas recomendadas:
1. Compare preços dias antes da Black Friday
Ofertas irreais podem induzir o consumidor a contratar crédito desnecessário. Monitorar os valores reais ajuda a identificar descontos autênticos.
2. Evite empréstimos para itens não essenciais
Crédito deve ser usado apenas em situações urgentes. Usá-lo para eletrônicos ou compras por impulso pode comprometer meses de orçamento.
3. Nunca tome crédito sem olhar o CET
O Custo Efetivo Total inclui tarifas, impostos e juros reais. Ele é mais fiel ao que o consumidor vai pagar ao final.
4. Prefira parcelas sem juros e confirme se realmente são sem juros
Algumas lojas incorporam juros no preço final mesmo quando anunciam “sem juros”. Simulações simples podem revelar esse custo oculto.
5. Defina um teto de gastos antes do período promocional
Segundo especialistas, consumidores que estabelecem limites financeiros antes das compras tendem a gastar até 30% menos.
Ferramentas úteis para controlar o orçamento
Além das recomendações práticas, algumas ferramentas podem ajudar o consumidor a acompanhar gastos e evitar decisões impulsivas:
Planilhas de controle financeiro
Permitem organizar despesas fixas, variáveis e limites de compra. Plataformas como Google Sheets e Excel disponibilizam modelos prontos.
Aplicativos de gestão de gastos
Apps como Organizze, Mobills, GuiaBolso (ou similares) categorizam gastos automaticamente e enviam alertas quando o consumidor ultrapassa limites.
Simuladores de crédito
Ferramentas disponibilizadas por bancos e fintechs mostram o custo total da dívida, permitindo avaliar se o empréstimo é viável.
Sites de comparação de preços
Buscapé, Zoom e Google Shopping ajudam a checar se o desconto é real ou inflado.
A Black Friday continua sendo uma das datas mais relevantes do comércio brasileiro, mas exige atenção redobrada em um cenário de juros altos. O alerta do Procon-SP coloca em pauta a importância do consumo responsável e do entendimento claro sobre o custo do crédito.
Com planejamento, informação e uso de ferramentas adequadas, é possível aproveitar as promoções sem transformar descontos em dívidas de longo prazo.
Imagem: Freepik
