Bolsa sobe 1,3% e fecha no maior patamar desde maio

Bolsa sobe 1,3% e fecha no maior patamar desde maio

O mercado financeiro brasileiro terminou a terça-feira (1º) com valorização da bolsa e recuo do dólar. O Ibovespa avançou 1,3%, aos 179.722,48 pontos, e encerrou o pregão no maior nível desde 12 de maio. Durante o dia, o principal índice acionário do país chegou a ultrapassar os 181 mil pontos.

O movimento ocorreu em uma sessão marcada pela alta do petróleo no exterior e pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. A valorização da commodity favoreceu principalmente empresas ligadas ao setor, com a Petrobras entre os destaques do mercado acionário.

No câmbio, o dólar comercial fechou vendido a R$ 5,153, queda de 0,54%. Com o resultado, a moeda norte-americana passou a acumular baixa de 6,12% em 2026.

Petróleo influencia desempenho da bolsa

A alta do petróleo ganhou força após os Estados Unidos anunciarem novos ataques contra alvos no Irã. O movimento aumentou as preocupações dos investidores sobre a oferta mundial da commodity, especialmente diante das tensões relacionadas ao Estreito de Ormuz.

O barril do tipo Brent, referência para o mercado internacional, subiu 4,6%, para US$ 94,65. Já o WTI, utilizado como referência no mercado norte-americano, avançou 5,2%, encerrando o dia a US$ 90,22.

A valorização do petróleo teve reflexos diretos nas ações da Petrobras. Os papéis preferenciais da companhia, que dão preferência na distribuição de dividendos, subiram 4,11%. As ações ordinárias, que conferem direito a voto em assembleias de acionistas, avançaram 4,14%.

O setor também acompanhou o anúncio de aumento de 13,9% no preço médio de venda do querosene de aviação, o QAV, pela Petrobras.

Produção de petróleo entra no radar

Outro dado acompanhado pelos investidores foi o recorde alcançado pela produção brasileira de petróleo. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o país chegou a 4,5 milhões de barris por dia em julho.

O resultado reforça o peso da indústria de petróleo para a economia brasileira e para o desempenho de empresas negociadas na bolsa. Em períodos de forte oscilação internacional dos preços, a cotação da commodity passa a ter influência relevante sobre as expectativas do mercado em relação ao setor.

PIB muda expectativas para os juros

A divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro também influenciou os negócios. A economia cresceu 0,5% no segundo trimestre, em comparação com os três meses anteriores. O resultado veio depois de uma expansão de 1,1% no primeiro trimestre.

Os números indicaram perda de ritmo da atividade econômica, acompanhada por retração do consumo das famílias e menor dinamismo da indústria. Ao mesmo tempo, o desempenho reforçou a percepção de que o Banco Central poderá voltar a reduzir a Taxa Selic, atualmente em 14% ao ano.

A possibilidade de juros menores pode afetar a atratividade dos investimentos brasileiros para o capital estrangeiro. No começo da sessão, essa perspectiva contribuiu para levar o dólar a R$ 5,20. Posteriormente, porém, a moeda perdeu força.

Durante a manhã, o dólar passou a acompanhar o movimento de outras moedas de países emergentes e a valorização do petróleo. Por volta das 14h20, chegou a ser negociado a R$ 5,13.

Investimento estrangeiro segue negativo

O fluxo de capital estrangeiro também permanece como um ponto de atenção para o mercado brasileiro. Na última sessão de agosto, houve saída líquida de R$ 130 milhões da bolsa.

Até o dia 28 de agosto, o saldo negativo acumulado no mês chegava a quase R$ 18,6 bilhões. O dado mostra que, apesar da valorização do Ibovespa na sessão, os investidores estrangeiros mantiveram um movimento de retirada de recursos durante boa parte do período.

No exterior, o desempenho foi diferente. O S&P 500, índice que reúne as 500 maiores empresas dos Estados Unidos, fechou em queda de 0,71%. O rendimento do título de dez anos do Tesouro norte-americano também subiu, em meio a um movimento global de venda desses papéis.

Com isso, o pregão brasileiro foi marcado por uma combinação de fatores domésticos e externos. A alta do petróleo sustentou empresas importantes do Ibovespa, enquanto os dados do PIB renovaram as expectativas sobre os juros. No câmbio, o dólar terminou o dia abaixo de R$ 5,16, mesmo após iniciar a sessão em alta.

Fonte: Agência Brasil
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/grafico-de-investimento-comercial-forex-na-tela-do-telefone-movel-foco-suave_15652654.htm