A inflação na porta de fábrica encerrou 2025 com variação de -4,53%, segundo dados do Índice de Preços ao Produtor, o IPP, divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Trata-se do segundo menor resultado da série histórica iniciada em 2014, atrás apenas de 2023, quando o indicador registrou -4,99%. Em 2024, o índice havia fechado em alta de 9,28%.
O IPP mede a variação dos preços dos produtos que saem da indústria antes de chegarem ao comércio e ao consumidor final. O cálculo não inclui impostos nem frete. Por isso, o indicador é conhecido como inflação na porta de fábrica e funciona como um termômetro do comportamento dos custos industriais ao longo do ano.
Desde o início da série, apenas dois anos apresentaram deflação, 2023 e 2025. Nos demais períodos, o índice ficou positivo, com destaque para 2020 e 2021, durante a pandemia de covid-19, quando o IPP fechou com altas de 19,38% e 28,45%, respectivamente. Na sequência, houve desaceleração em 2022, com 3,16%, antes da queda em 2023, da retomada em 2024 e da nova deflação em 2025.
O histórico anual do indicador mostra oscilações relevantes ao longo da última década. Em 2014, o IPP foi de 2,66%. Em 2015, subiu para 8,81%. Em 2016, desacelerou para 1,71%. Nos anos seguintes, registrou 4,15% em 2017, 9,64% em 2018 e 5,19% em 2019. A partir de 2020, com a pandemia, os resultados passaram a refletir pressões mais intensas sobre os preços industriais.
Alimentos lideram impacto negativo no IPP
De acordo com o IBGE, a principal influência para o resultado de 2025 veio da indústria de alimentos, que apresentou queda média de 10,47% nos preços. O setor teve impacto de -2,7 pontos percentuais no índice geral, o maior entre as atividades pesquisadas.
O comportamento do açúcar foi um dos fatores determinantes. O produto acompanhou a redução das cotações no mercado internacional, o que contribuiu para pressionar os preços na indústria brasileira ao longo do ano.
Outro elemento citado pelo instituto foi a valorização do real frente ao dólar, de 10,6% em 2025. Com a moeda brasileira mais forte, os insumos e produtos importados ficaram relativamente mais baratos, influenciando o custo de produção e ajudando a conter os preços industriais.
Além dos alimentos, outras atividades também contribuíram para a deflação do IPP em 2025. A indústria extrativa registrou queda de 14,39%, com impacto de -0,69 ponto percentual no índice geral. O setor de refino de petróleo e biocombustíveis teve variação de -5,64%, respondendo por -0,56 ponto percentual. Já a metalurgia caiu 8,06%, também com impacto de -0,56 ponto percentual.
Segundo o gerente do IPP, Murilo Alvim, no caso da indústria extrativa, a redução dos preços está relacionada ao comportamento do mercado internacional de commodities. Os menores valores dos óleos brutos de petróleo ocorreram, segundo ele, “refletindo um aumento na produção global e estoques elevados durante boa parte do ano”.
Alvim acrescenta que os minérios de ferro também registraram recuo, “acompanhando um aumento da oferta global, enquanto a demanda mundial ficou moderada”. O cenário externo, portanto, teve papel relevante na composição do resultado de 2025, tanto pela dinâmica da oferta quanto pela evolução da demanda internacional.
Diferença entre IPP e IPCA
A divulgação do IPP ocorre na mesma semana em que o IBGE apresentou os dados da inflação oficial ao consumidor. Em janeiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, registrou alta de 0,33%. No acumulado de 12 meses, o indicador alcançou 4,44%.
Enquanto o IPP mede os preços no nível da indústria, o IPCA acompanha o custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, considerando bens e serviços consumidos no dia a dia. A dinâmica entre os dois índices não é automática, mas variações persistentes na porta de fábrica podem influenciar, ao longo do tempo, os preços ao consumidor.
O resultado negativo do IPP em 2025 sinaliza um alívio nos preços industriais após a alta observada em 2024. A combinação de recuo em commodities, valorização cambial e ajuste na oferta global ajudou a compor o cenário de deflação no setor produtivo. Ainda assim, o comportamento futuro dependerá da evolução do mercado internacional, da taxa de câmbio e da demanda interna ao longo de 2026.
Fonte: Agência Brasil
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