Empreendedorismo avança no Brasil em 2025 e reforça protagonismo dos pequenos negócios

Empreendedorismo avança no Brasil em 2025 e reforça protagonismo dos pequenos negócios

O empreendedorismo brasileiro manteve trajetória de crescimento em 2025 e ganhou fôlego já nos primeiros meses do ano. Dados de pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, divulgados pelo portal GOV BR, mostram que mais de um milhão e quatrocentos mil novos CNPJs foram abertos no país até março. A maioria das inscrições foi de microempreendedores individuais, responsáveis por 78% do total registrado no período.

O avanço se destaca também na comparação anual. Em relação ao primeiro trimestre de 2024, o número de MEIs cresceu 35% em todo o território nacional. Entre as micro e pequenas empresas, a alta foi de 28%, sinalizando que o movimento não se limita ao empreendedor individual, mas alcança estruturas empresariais mais robustas.

Em março de 2025, o setor de Serviços concentrou a maior parte das aberturas de pequenos negócios, com 257.156 novos registros, o equivalente a 63,7% do total. O Comércio apareceu na sequência, com 83.921 CNPJs, representando 20,8%. Já a Indústria da Transformação somou 30.859 novas empresas, o que corresponde a 7,6% das inscrições no mês.

Segundo Nassim Katri Neto, fundador da rede de franquias Pinta Mundi Tintas, o cenário atual reflete um momento de reinvenção do empreendedorismo no Brasil. Para ele, as oportunidades existem, mas o ambiente exige preparo, disciplina e capacidade de gestão para lidar com custos elevados, burocracia e concorrência intensa. “O maior desafio hoje não é falta de ideia, é falta de execução. Existe muita gente boa desistindo porque subestimou o peso do caixa, da liderança e da capacidade de tomar decisões duras. Quem entende isso, avança”, afirma.

Setores em evidência no novo ciclo empreendedor

Na avaliação do empresário, alguns segmentos se destacam de forma consistente em 2025. O varejo especializado, principalmente nas áreas de moradia e construção, manteve crescimento mesmo em períodos de instabilidade econômica. Outro campo em expansão é o da educação profissionalizante, que deixou de ser apenas tendência e passou a ocupar espaço central na formação de mão de obra.

Nassim também chama atenção para os serviços de proximidade, ligados diretamente à rotina das pessoas, como manutenção, reformas, conveniência e experiências locais. “Por fim, destaco os serviços de proximidade, que acompanham a vida real das pessoas: manutenção, reforma, conveniência e experiências locais. No geral, quem consegue unir conveniência, resultado e atendimento humanizado está um passo à frente”, observa.

Desafios persistem para quem empreende

Apesar do aumento de iniciativas de apoio por parte do governo, de investidores e da própria sociedade, o empresário avalia que ainda há entraves importantes. Um dos principais é a deficiência na educação empreendedora, muitas vezes distante da prática cotidiana dos negócios. “Outro ponto crítico é a burocracia: o empreendedor perde energia demais em processos que não geram crescimento”, acrescenta.

Para 2026, a expectativa é de consolidação do ecossistema empreendedor no país. Na visão de Nassim, a economia tende a apresentar maior estabilidade, o que pode favorecer empresas mais organizadas e profissionalizadas. “Quem estiver preparado, com operação redonda, equipe treinada e posicionamento claro, vai crescer acima da média. O Brasil ainda é um dos países com maior potencial de consumo e isso não muda, muda a forma de entregar valor”, explica.

No caso da Pinta Mundi Tintas, o foco seguirá voltado para expansão com atenção à estrutura e à rentabilidade, priorizando crescimento sustentável e padronização dos processos.

Da banca de jornal ao franchising nacional

A trajetória de Nassim Katri Neto no empreendedorismo começou cedo. Ainda jovem, atuou como jornaleiro, experiência que antecedeu sua entrada definitiva no mundo dos negócios. Com o tempo, passou a se dedicar ao setor de tintas e identificou um mercado amplo, mas pouco estruturado, sobretudo na operação de lojas e no modelo de franquias.

A partir dessa percepção, iniciou o desenvolvimento de um formato mais organizado e padronizado para o segmento. A primeira unidade da Pinta Mundi foi inaugurada em 1991, na cidade de São Paulo. Quatro anos depois, a segunda loja entrou em funcionamento e, ao longo dos anos seguintes, o grupo consolidou mais de seis unidades próprias.

Em 2017, teve início o projeto da franqueadora e, no ano seguinte, a marca tornou-se uma das primeiras redes de tintas a se associar à Associação Brasileira de Franchising. Atualmente, a Pinta Mundi Tintas conta com mais de 50 lojas espalhadas pelo país, refletindo a profissionalização do negócio e o amadurecimento do empreendedorismo nacional.

Fonte: Diário do Nordeste
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