O avanço da inteligência artificial tem provocado transformações no mercado de trabalho dos Estados Unidos, mas seus efeitos sobre o emprego e os salários ainda permanecem limitados. A avaliação é do Banco Central Europeu (BCE), que divulgou nesta segunda-feira (22) um estudo sobre os impactos da tecnologia na economia americana entre 2019 e 2025.
Nos últimos anos, a corrida por soluções baseadas em inteligência artificial levou empresas de diversos setores a ampliar investimentos em automação, análise de dados e sistemas capazes de executar tarefas antes realizadas por profissionais. Esse movimento alimentou o debate sobre a possibilidade de substituição em massa de trabalhadores e aumento da desigualdade salarial.
Os resultados apresentados pelo BCE, porém, mostram um cenário menos dramático do que parte das projeções iniciais. Embora existam sinais de pressão sobre algumas profissões, os dados indicam que a economia dos Estados Unidos tem absorvido as mudanças de forma gradual.
Segundo o levantamento, o principal efeito observado até agora é uma reorganização da força de trabalho, com crescimento mais forte em ocupações consideradas menos suscetíveis à substituição por inteligência artificial.
Profissões mais expostas perderam espaço
O estudo aponta que a adaptação ao avanço da IA já está em curso há alguns anos. Nesse período, profissionais de setores mais vulneráveis à automação passaram por um processo de redistribuição para outras atividades da economia.
De acordo com o BCE, “Mantendo-se tudo o mais igual, entre 2019 e 2025, os empregos com alto risco de substituição cresceram cerca de 15 pontos percentuais a menos do que os empregos com baixo risco de substituição”.
A diferença evidencia que a expansão da inteligência artificial não afetou todos os segmentos da mesma maneira. Funções que envolvem tarefas repetitivas, processamento de informações ou produção de conteúdo digital apresentaram desempenho inferior ao de ocupações que dependem de habilidades práticas e interação humana.
Entre os cargos considerados de maior risco estão economistas e designers gráficos. Segundo a pesquisa, o emprego nessas funções registrou queda média superior a 4% entre 2019 e 2025.
Já profissões classificadas como de baixo risco de substituição apresentaram trajetória oposta. O número de trabalhadores em áreas como eletricidade e ensino médio cresceu 13% no mesmo período, demonstrando maior resistência aos efeitos da automação.
Mudança na composição do mercado
As transformações também aparecem quando se observa a participação de cada grupo ocupacional no conjunto do mercado de trabalho americano.
Os empregos considerados menos vulneráveis à inteligência artificial ampliaram sua presença na economia dos Estados Unidos. Entre 2019 e 2025, a participação dessas ocupações passou de 23% para 25% do total de vagas.
Ao mesmo tempo, os cargos classificados como de alto risco perderam representatividade. A fatia dessas funções recuou de 35% para 33%.
Para o BCE, os números indicam que a inteligência artificial vem influenciando decisões de contratação e a demanda por determinadas competências, ainda que sem provocar uma redução generalizada dos postos de trabalho.
O estudo também chama atenção para grupos potencialmente mais expostos às mudanças. Trabalhadores em início de carreira e profissionais de setores com elevada presença de ferramentas digitais tendem a enfrentar maiores desafios de adaptação nos próximos anos.
Salários ainda não sentiram impacto relevante
Além da evolução do emprego, a pesquisa analisou os efeitos da inteligência artificial sobre os rendimentos dos trabalhadores. Nesse campo, os resultados apontam para um impacto praticamente neutro até o momento.
Segundo o BCE, “O risco de substituição pela IA não teve impacto significativo no crescimento dos salários desde 2019”.
A conclusão sugere que, apesar das mudanças observadas na distribuição das vagas, a tecnologia ainda não provocou alterações relevantes na dinâmica salarial da economia americana.
Os pesquisadores, entretanto, ressaltam que o cenário pode mudar à medida que novas ferramentas ganhem capacidade para executar tarefas mais complexas. O avanço da inteligência artificial generativa é citado como um dos fatores que podem acelerar transformações futuras.
O estudo destaca essa possibilidade ao afirmar que “Com o tempo, à medida que o mercado de trabalho continua a se ajustar e as ferramentas de IA se tornam mais generativas, os efeitos sobre a renda podem se tornar mais pronunciados”.
Por enquanto, a análise do Banco Central Europeu indica que a inteligência artificial está promovendo uma reconfiguração gradual do mercado de trabalho dos Estados Unidos, sem provocar os impactos profundos sobre emprego e salários que muitos especialistas projetavam nos primeiros anos da revolução tecnológica.
Fonte: CNN Brasil
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/businesswoman-employs-neural-networks-systems-for-data-analysis-and-forecasting-combining-ai_424828490.htm

