A abertura oficial da campanha eleitoral de 2026, em 16 de agosto, volta a movimentar a indústria gráfica brasileira. Adesivos, cartazes, folhetos, colinhas e os tradicionais santinhos permanecem entre os materiais mais procurados por candidatos e partidos, mesmo diante do crescimento da comunicação nas redes sociais.
O cenário mostra uma mudança no formato da propaganda, mas não uma substituição completa do material impresso. Dados da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) indicam que as gráficas continuam encontrando nas eleições uma oportunidade de ampliar receitas. Os números estão reunidos nos estudos “Impacto da Economia e das Eleições 2022 na Indústria Gráfica” e “O Impacto das Eleições na Indústria Gráfica 2024”, produzidos durante os respectivos períodos eleitorais.
Nas últimas décadas, a indústria gráfica passou por profundas transformações impulsionadas pelo avanço do meio digital. Se, por um lado, o declínio na procura por impressos tradicionais exigiu do setor a reestruturação de seus processos, estratégias de expansão e modelos de negócio, por outro, a inovação tecnológica viabilizou oportunidades em automação industrial, customização em escala, soluções de economia circular e produtos de alto valor agregado. Segundo Marco Juliano Barro, executivo com mais de três décadas de atuação em companhias nacionais e multinacionais dos segmentos gráfico e de embalagens, a trajetória da indústria gráfica sempre esteve intrinsecamente conectada à inovação.
Eleições ampliam demanda por materiais
Nas quatro eleições mais recentes, realizadas em 2018, 2020, 2022 e 2024, a presença dos meios digitais cresceu na comunicação política. Ainda assim, a produção gráfica manteve participação relevante nas campanhas.
Segundo os levantamentos da Abigraf, 34,3% das empresas consultadas trabalharam com impressão de materiais eleitorais em 2022. Em 2024, nas eleições municipais, o percentual chegou a 37,2%. Para as empresas que receberam pedidos de campanhas, o período eleitoral representou crescimento de faturamento superior a 20%.
A diferença entre eleições gerais e municipais também aparece nos resultados financeiros. Em 2022, quando estavam em disputa cargos de presidente, governador, senador e deputado, 27,1% das gráficas consultadas registraram aumento superior a 30% nas receitas em comparação com anos sem eleição. Em 2024, esse índice foi de 8,6%.
A maior movimentação nas eleições gerais é relacionada, nos estudos, ao número de candidaturas envolvidas. Mais candidatos significam maior demanda por materiais como santinhos, cartazes, praguinhas e adesivos para veículos.
O santinho tradicional continua liderando entre os produtos impressos utilizados pelas campanhas. Em 2024, ele foi produzido por 93,1% das gráficas que atenderam candidatos. Na sequência apareceram os folhetos, solicitados por 84,5% dessas empresas, e as colinhas, presentes em 69% dos pedidos.
Impacto no faturamento e no emprego
O aumento da demanda eleitoral não se traduz, na mesma proporção, em novas contratações. Entre as gráficas que produziram materiais para campanhas em 2024, 83,3% mantiveram o número de funcionários.
Nas empresas que contrataram trabalhadores temporários, a necessidade de reforço ficou concentrada principalmente no acabamento. O setor respondeu por 80,8% das contratações temporárias, enquanto a área de impressão teve participação menor. Os dados indicam que a preparação final dos materiais exigiu mais mão de obra adicional durante o período.
Outro indicador relevante aparece nas prestações de contas disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nas eleições municipais de 2024, os gastos com materiais impressos, considerando papel e adesivos, somaram pouco mais de R$ 900 milhões. Os impulsionamentos de conteúdo ficaram em R$ 139,25 milhões, segundo os dados apresentados no levantamento.
Publicidade digital avança
A diferença entre os valores não significa que a publicidade digital esteja parada. Pelo contrário, os gastos com impulsionamento cresceram entre as duas últimas eleições municipais. Em 2020, as despesas com esse tipo de divulgação alcançaram R$ 108,5 milhões no primeiro turno. Quatro anos depois, chegaram a R$ 170 milhões, uma alta próxima de 70%.
O avanço das redes sociais também trouxe novos desafios para a propaganda eleitoral. Entre eles está o uso de inteligência artificial, que passou a receber atenção da Justiça Eleitoral diante dos impactos que conteúdos produzidos ou modificados por essas ferramentas podem gerar durante as campanhas.
Para a indústria gráfica, porém, os números das eleições recentes mostram que a digitalização não eliminou a demanda por produtos físicos. O material impresso continua presente na estratégia de candidatos e partidos e mantém peso relevante nas despesas eleitorais. Com o início da campanha de 2026, gráficas voltam a integrar a cadeia de serviços mobilizada pelas disputas, enquanto os meios digitais ampliam sua participação no planejamento e na execução da comunicação política.
Esse movimento também ajuda a explicar alterações temporárias na rotina de produção e no volume de pedidos de determinadas empresas do setor.
Fonte: Diário de Pernambuco
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/trabalhador-da-grafica-controlando-a-qualidade-do-processo-de-impressao-e-verificando-as-cores-com-lupa_16330798.htm

