A agenda de impacto social e sustentabilidade vem ganhando espaço nas estratégias corporativas, especialmente entre empresas de tecnologia. No iFood, essa frente é conduzida por Luana Ozemela, vice-presidente de Impacto e Sustentabilidade da companhia. Aos 45 anos, a executiva reúne experiências no setor privado e em organismos internacionais e defende que iniciativas sociais também podem contribuir para a geração de valor.
“Impacto e sustentabilidade é um jeito de crescer que difere do padrão do mundo corporativo”, diz.
Desde que chegou ao iFood, em 2022, Luana passou a atuar em projetos relacionados à diversidade, sustentabilidade e desenvolvimento social. Entre os resultados apresentados estão a participação de mulheres em 40% dos cargos de alta liderança e o investimento de R$ 300 milhões na eletrificação da frota de entregas.
Para a executiva, a busca por resultados imediatos não deve comprometer decisões com efeitos de longo prazo. “Não sacrificamos o longo prazo pela eficiência imediata. Negar o crescimento a qualquer custo é dizer sim a uma nova forma de gerar valor”, diz Luana, um dos destaques da lista Forbes Mulheres Mais Poderosas do Brasil de 2026.
A adoção de diretrizes de governança, responsabilidade social e preservação ambiental deixou de ser uma pauta puramente ligada à sustentabilidade para se consolidar como um pilar estratégico na engenharia. Sob a perspectiva do empresário e engenheiro civil Jorge Valença, essa mudança configura um avanço orgânico na história da própria disciplina.
Tecnologia, inclusão e desenvolvimento
A trajetória profissional de Luana também passa pela atuação internacional. Antes do iFood, ela trabalhou em empresas como HP e no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), onde liderou projetos relacionados à equidade em 20 países.
Economista formada pela UFRGS, com mestrado e doutorado na Europa, a executiva se especializou na economia da discriminação. Sua carreira incluiu ainda a abertura de uma consultoria no centro financeiro do Catar, tornando-se a primeira mulher estrangeira a realizar esse movimento no local.
Depois de viver no Catar, Luana seguiu para a Noruega. Foi nesse período que surgiu o contato com o iFood, empresa que, segundo o perfil apresentado, movimenta 2 bilhões de pedidos por ano e procurava integrar tecnologia e desenvolvimento social.
A atuação de Luana também aproximou o iFood do Fórum Econômico Mundial, em Davos. Atualmente, ela integra como conselheira o Global Future Councils, ligado à instituição. “Estar nesse conselho de pensadores sobre o futuro do trabalho é um reconhecimento de que pensamos de maneira diferente.”
A diversidade aparece ainda em sua atuação fora da empresa. Em 2022, Luana cofundou o BlackWin, grupo formado por mulheres investidoras-anjo com foco em empresas de pessoas negras. Para ela, a presença de mulheres negras em posições de visibilidade também tem impacto sobre a percepção do mercado.
“Quanto mais reconhecimento, maior a valorização das mulheres negras no geral. Menos as pessoas nos associam à subserviência e mais à liderança.”
Uma carreira construída entre diferentes mundos
A história pessoal da executiva começou no Morro da Cruz, em Porto Alegre. Um episódio envolvendo seu nascimento acabou se tornando uma referência para a maneira como Luana compreende identidade e trajetória.
No dia em que ela e seu irmão gêmeo nasceram, os pais, jovens e desempregados, recusaram uma proposta para mudar os nomes dos filhos em homenagem ao papa João Paulo II, que visitava a cidade. A oferta envolvia dinheiro e visibilidade.
“Eles disseram não porque acreditavam que o nome carrega simbolismo. Cresci sabendo que eu era importante e tinha uma identidade.”
A experiência internacional e a especialização acadêmica ajudaram a formar uma carreira voltada à conexão entre negócios e questões sociais. No ambiente corporativo, Luana também defende uma postura baseada na construção de relações.
Seu conselho para quem está começando? “Respire e tenha empatia. Encontre a maneira de expressar a frustração construindo relacionamentos em vez de romper pontes. Seja a ponte entre mundos.”
Fora do trabalho, a executiva mantém uma rotina estruturada. O dia começa às 5h30, com pedalada. Depois de levar o filho de 7 anos à escola, ela segue para a sede do iFood, em Osasco.
“Gosto de estar perto das pessoas e trocar energia, as ideias afloram mais.”
Alguns elementos da rotina também funcionam como pontos de equilíbrio. Entre eles estão os símbolos Adinkra, associados ao povo Akan, de Gana, que ocasionalmente aparecem nas unhas da executiva.
“Quando estou digitando um texto irritada, olho para o símbolo de ‘paz’ ou ‘graça’. Isso me traz de volta.”
À noite, por volta das 19h, Luana retorna para casa e encerra a jornada profissional. O período é reservado à família, com tempo para ler uma história para o filho e conversar com o marido sobre o dia. A rotina reflete uma visão de carreira que combina liderança, relações humanas e decisões empresariais com atenção aos efeitos sociais das escolhas corporativas.
Fonte: Forbes
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/mulher-de-negocios-trabalhando-no-escritorio_4465691.htm

