O Pará deu início a uma nova frente de organização da cadeia do açaí, com foco em aumentar a renda dos produtores e dar mais estabilidade à atividade. Lançado em Belém na quinta-feira (26), o Projeto de Integração da Cadeia do Açaí reúne agricultores, instituições financeiras e entidades do setor em uma estrutura que combina assistência técnica, acesso ao crédito e contratos de compra da produção.
A proposta surge em um contexto de forte oscilação de preços, realidade comum no mercado do açaí. Ao estruturar melhor a cadeia produtiva, a iniciativa pretende reduzir a exposição dos produtores a essas variações, criando condições mais previsíveis para o planejamento da safra.
A Polpanorte, responsável pela condução do projeto, lidera as vendas de açaí no Brasil e detém cerca de 20% do mercado nacional. A empresa já iniciou a implementação do programa, com adesão de produtores e assinatura do primeiro contrato na região.
Estrutura integrada no campo
O desenho do programa prevê alcançar aproximadamente 35 mil produtores no estado. A estratégia envolve facilitar o acesso a financiamento com condições diferenciadas, além de garantir acompanhamento técnico contínuo diretamente nas propriedades rurais.
A assistência técnica será realizada com apoio de instituições como Embrapa, SENAR/ATEG e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Pará (Faepa). O Banco do Brasil entra como agente financeiro, responsável por operacionalizar as linhas de crédito oferecidas aos produtores.
Esse suporte técnico deve atuar em diferentes etapas da produção, do manejo das áreas de cultivo à colheita. A intenção é aumentar a produtividade e melhorar a qualidade do fruto, pontos considerados essenciais para ampliar a competitividade do açaí paraense.
Segundo o CEO da Polpanorte, João Zeppone, o projeto reorganiza a dinâmica da cadeia produtiva. “Com orientação técnica, crédito estruturado e mercado garantido, o agricultor ganha segurança para produzir mais e melhor”, afirma.
Segurança na comercialização
A formalização de contratos de compra é um dos elementos centrais do modelo. Com esse mecanismo, os produtores passam a ter maior previsibilidade sobre a venda da safra, reduzindo a dependência das variações de preço ao longo do ano.
Além de diminuir riscos, os contratos fortalecem a relação entre quem produz e quem processa o açaí. Para a indústria, há maior regularidade no fornecimento. Para o agricultor, a garantia de escoamento tende a facilitar o acesso a crédito e o planejamento da produção.
A implementação será gradual, com expansão prevista para diferentes municípios do Pará. Equipes técnicas devem atuar diretamente nas áreas de cultivo, acompanhando a adaptação dos produtores ao modelo proposto.
O diretor de operações da Polpanorte, Fernando Bertoti, ressalta a continuidade da iniciativa. “A implementação será contínua, com equipes atuando in loco para garantir que o modelo funcione no curto, médio e longo prazo”, diz.
Expansão e impacto regional
O Pará já ocupa posição central na produção de açaí no Brasil, concentrando grande parte da oferta nacional. A cadeia produtiva envolve milhares de pequenos produtores, muitos deles organizados em cooperativas, especialmente em regiões ribeirinhas.
A Polpanorte mantém operações industriais no Pará e no Paraná e, ao longo dos anos, estruturou parcerias com cooperativas locais. Atualmente, cerca de 40 cooperativas ribeirinhas fornecem açaí para a empresa, reunindo mais de 1.200 famílias.
O novo projeto amplia essa base ao propor um modelo mais integrado entre produção, financiamento e comercialização. A expectativa é que a iniciativa contribua para um novo ciclo de crescimento do setor, com ganhos em escala e qualidade.
Ao mesmo tempo, o programa reforça a importância do manejo organizado das áreas de cultivo, aspecto relevante em uma atividade que depende diretamente das condições ambientais da região.
Com a combinação de crédito facilitado, assistência técnica e contratos de compra, o projeto busca criar um ambiente mais estável para o produtor. A proposta é reduzir incertezas, melhorar resultados no campo e consolidar o papel do Pará como principal polo do açaí no país.
Fonte: CNN Brasil
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