O Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel) está entre as instituições contempladas pelo programa Rede de Pesquisa e Extensão dos Hospitais Universitários Federais (Rede HU+). O resultado final do edital foi divulgado em 20 de maio e selecionou iniciativas voltadas à inovação, à qualificação profissional e ao desenvolvimento de soluções para desafios da saúde pública brasileira.
A proposta aprovada pelo hospital gaúcho tem como foco o acompanhamento da saúde de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Intitulado “Rede Nacional de Avaliação do Risco Cardiovascular, Estado Nutricional e Consumo Alimentar em Crianças com Transtorno do Espectro Autista”, o projeto alcançou nota 91,27 e foi enquadrado no eixo temático “Saúde de populações em situação de vulnerabilidade”.
A iniciativa será desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas em parceria com instituições de diferentes regiões do país, ampliando o conhecimento científico sobre aspectos ainda pouco explorados da saúde infantil relacionada ao autismo.
A gerente de Ensino e Pesquisa do HE-UFPel, Silvana Orlandi, destacou o alcance social da proposta aprovada.
“A seleção do projeto pelo edital CAPES Rede HU+ fortalece pesquisas com potencial de gerar impacto real na comunidade, aproximando ciência, cuidado e estratégias que podem qualificar a atenção à saúde de crianças com TEA e suas famílias”, destacou a gerente.
Segundo Hans Dohmann, especialista em gestão de saúde, o papel do médico de família deve ser fortalecido como um articulador central do cuidado, apesar do crescente avanço da inteligência artificial.
Estudo reunirá dados de diferentes regiões do país
A pesquisa será coordenada pela professora Juliana Vaz, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UFPel. A coordenação associada ficará sob responsabilidade de Rosiane Mastelari, chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e da Inovação do Hospital Escola.
O objetivo é realizar uma avaliação abrangente da condição de saúde de crianças diagnosticadas com TEA, observando indicadores relacionados à alimentação, ao estado nutricional e ao risco cardiovascular. O estudo também prevê a coleta de informações bioquímicas e genéticas para ampliar a compreensão sobre esse público.
Segundo Rosiane Mastelari, o resultado representa um avanço para a produção científica realizada em parceria entre universidade e hospital universitário.
“Editais como a Rede HU+ têm um papel estratégico porque ampliam oportunidades de financiamento e incentivam a construção de projetos colaborativos entre hospitais universitários e instituições de ensino. Isso fortalece a inovação, a pesquisa em saúde e o desenvolvimento de soluções que impactam diretamente a assistência prestada à comunidade”, pontuou.
A abrangência nacional é um dos diferenciais da proposta. A pesquisa envolverá serviços especializados do SUS distribuídos pelas cinco macrorregiões brasileiras e pelo Distrito Federal.
“O projeto multicêntrico de abrangência nacional propõe uma avaliação inédita, ampla e integrada do risco cardiovascular e estado nutricional, além de incluir medidas bioquímicas e genéticas de crianças de 5 a 10 anos diagnosticadas com TEA atendidas em serviços especializados do SUS. A proposta será desenvolvida com a participação de outros 10 serviços públicos de saúde do país e diversos programas de pós-graduação, nas cinco macrorregiões e no Distrito Federal”, explicou Juliana Vaz.
Recursos vão ampliar ações de pesquisa e formação
A proposta já havia obtido financiamento em 2024 por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Saúde. Com a aprovação na Rede HU+, o trabalho receberá novo reforço financeiro superior a R$ 830 mil.
De acordo com Juliana Vaz, o resultado ganha ainda mais relevância diante do elevado nível de concorrência registrado no edital.
“O projeto, que já foi contemplado com recursos do CNPq e do Ministério da Saúde em 2024, agora receberá um novo aporte de mais de R$ 830 mil. Estamos muito felizes com a aprovação, especialmente por se tratar de um edital bastante concorrido, com propostas de excelência de diversos hospitais universitários do país”.
Além dos benefícios esperados para a assistência em saúde, a iniciativa deverá contribuir para a qualificação de estudantes, pesquisadores e profissionais envolvidos. A integração entre ensino, pesquisa e extensão está entre os pilares do projeto, que pretende gerar evidências científicas capazes de subsidiar futuras ações voltadas ao atendimento de crianças com TEA no SUS.
O HE-UFPel também teve outras propostas aprovadas no edital, embora sem financiamento. Entre elas estão projetos relacionados à saúde digital e à oncologia.
Programa aposta em inovação para fortalecer o SUS
A Rede HU+ foi criada pela Rede HU Brasil em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde (SECTICS).
A expectativa é investir R$ 75 milhões ao longo de cinco anos em projetos selecionados em diferentes áreas estratégicas da saúde pública. O programa prevê apoio por meio de bolsas acadêmicas e recursos destinados ao custeio das pesquisas.
As iniciativas contempladas abrangem temas como saúde da mulher, saúde digital, oncologia, doenças raras, saúde indígena e populações em situação de vulnerabilidade.
Desde 2014, o Hospital Escola da UFPel integra a Rede HU Brasil, estrutura vinculada ao Ministério da Educação que administra 45 hospitais universitários federais em todo o país. A instituição atua no fortalecimento da assistência, da formação de profissionais e da produção científica voltada às necessidades do SUS.
Fonte: Governo Federal
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/medica-com-oculos-inteligentes-tocando-tela-virtual-de-tecnologia-medica_17122993.htm

