Dermatologista Stanley Bessa faz alerta sobre o impacto da poluição e da luz azul dos eletrônicos na saúde da pele

Stanley Bessa luz azul e poluição

A poluição atmosférica e a luz azul, também chamada de luz visível de alta energia (HEV, na sigla em inglês), estão cada vez mais na mira de médicos e cientistas. Estudos recentes já revelaram o poder que ambos possuem sobre a saúde da pele. Mais do que um tema estético, trata-se de uma questão de saúde: esse tipo de exposição está associada à formação de radicais livres, inflamação e envelhecimento precoce.

Uma revisão publicada no Journal of Dermatological Science indicou que a poluição causa danos cutâneos por diferentes mecanismos, incluindo a ativação de receptores celulares (como o AhR), alterações no microbioma da pele e o aumento do estresse oxidativo. Já uma pesquisa conduzida na Alemanha e na China demonstrou que a exposição a partículas finas de poluição (PM₂,₅) está relacionada ao aumento de manchas e rugas faciais com efeitos semelhantes aos provocados pela radiação ultravioleta.

A luz azul, por sua vez, é um componente natural do espectro solar, mas passou a ser uma fonte adicional e constante por meio das telas de celulares, computadores e televisores. Estudos já demonstraram que a radiação visível entre 400 e 500 nanômetros também é capaz de gerar espécies reativas de oxigênio (ROS) e danificar estruturas celulares, como o colágeno e a elastina.

O dermatologista Dr. Stanley Bessa, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), chama atenção para a necessidade de repensar os cuidados diários. “A pele é um órgão de fronteira com o ambiente. Está constantemente exposta a partículas suspensas no ar, poluentes e radiações luminosas. Entender como esses fatores agem é essencial para preservar sua integridade”, afirma.

Poluição e danos cutâneos

Segundo o dermatologista, a poluição atmosférica tornou-se um dos principais agentes de envelhecimento extrínseco da pele, aquele causado por fatores externos. “Os poluentes liberam radicais livres que oxidam lipídios e proteínas celulares, comprometendo a barreira cutânea e acelerando processos inflamatórios”, explica.

Pesquisas publicadas no Journal of Investigative Dermatology mostram que a exposição crônica à poluição aumenta a pigmentação irregular e a formação de rugas, além de reduzir a luminosidade natural da pele. “Esse tipo de dano não está apenas nas áreas expostas ao sol. Partículas poluentes se depositam sobre toda a superfície cutânea, inclusive em regiões cobertas”, complementa o dermatologista.

O médico destaca ainda que o impacto é cumulativo: “Mesmo pequenas quantidades de poluição, quando absorvidas continuamente, geram uma sobrecarga oxidativa que o organismo não consegue neutralizar com eficiência.”

Luz azul e envelhecimento celular

A luz azul, emitida em grande parte pelos dispositivos eletrônicos, tem sido objeto de pesquisas recentes na dermatologia. Um estudo publicado na Photodermatology, Photoimmunology & Photomedicine, a exposição repetida a essa radiação pode induzir estresse oxidativo e desencadear alterações pigmentares, especialmente em peles mais escuras.

“O que antes era restrito à exposição solar agora se tornou parte da vida cotidiana. Passamos horas diante de telas, muitas vezes sem perceber o efeito acumulativo sobre a pele”, observa.

Segundo o especialista, a luz azul penetra mais profundamente na epiderme do que a radiação ultravioleta, atingindo camadas onde estão o colágeno e a elastina. “Essas estruturas são fundamentais para a firmeza e a elasticidade da pele. Quando degradadas, favorecem o aparecimento precoce de linhas e flacidez”, explica.

Um estudo publicado em 2021 pelo National Center for Biotechnology Information (NCBI) demonstrou que a luz azul ativa enzimas chamadas metaloproteinases da matriz (MMPs), responsáveis pela quebra de fibras de colágeno. “Isso ajuda a entender por que pacientes jovens, que passam muito tempo em frente a telas, já apresentam sinais sutis de envelhecimento digital”, acrescenta o médico.

A pele na era digital: dupla agressão

Para o dermatologista, o maior desafio atual é o efeito combinado entre poluição e luz azul. “Vivemos em ambientes urbanos com altos níveis de partículas suspensas e, ao mesmo tempo, ficamos cada vez mais expostos às telas. São dois agressores diferentes que produzem o mesmo resultado: radicais livres em excesso”, resume.

Essa sobreposição de fatores acelera o processo de envelhecimento gerando condições como melasma, rosácea e dermatite. Ainda, de acordo com o médico, a resposta da pele a essas agressões depende da reserva antioxidante de cada pessoa. Segundo ele, peles mais jovens ou bem cuidadas tendem a resistir melhor, mas o efeito acumulativo é inevitável. Por isso, a prevenção precisa começar cedo.

Cuidados e novas abordagens dermatológicas

Embora o tratamento varie conforme cada caso, há consenso entre os especialistas sobre a importância de adotar estratégias de proteção ampliada. Isso inclui desde o uso de filtros solares que também bloqueiam luz visível até o reforço da barreira antioxidante cutânea.

“Não se trata apenas de proteger contra o sol, mas de neutralizar os radicais livres gerados por diferentes fontes. Isso pode ser feito com substâncias antioxidantes — como vitaminas C e E, niacinamida e polifenóis associadas à fotoproteção diária”, orienta.

O dermatologista também recomenda atenção à limpeza da pele: “Partículas poluentes se depositam na superfície cutânea e precisam ser removidas adequadamente. O uso de produtos suaves, mas eficazes, ajuda a manter a barreira de proteção intacta.”

Sobre o Dr. Stanley Bessa

O Dr. Stanley Bessa é médico dermatologista com mais de 25 anos de experiência. Membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e detentor do Título de Especialista em Dermatologia pela Associação Médica Brasileira, possui pós-graduações nas áreas de Alergia e Imunologia, Medicina Estética, Dermatologia Cirúrgica e Estética. Atua com ênfase em cirurgia dermatológica e transplante capilar, é sócio da Neofolic e parceiro do Instituto Brasileiro de Medicina Capilar (IBRAMEC), onde ministra cursos voltados a médicos. Atualmente, expande seus atendimentos para Brasília.

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