Verticalização acelera na Vila Mariana e reforça nova fase do mercado imobiliário paulistano

Verticalização acelera na Vila Mariana e reforça nova fase do mercado imobiliário paulistano

A Vila Mariana atravessa um dos períodos mais intensos de transformação urbana de sua história recente. O distrito da zona sul de São Paulo, conhecido pela combinação entre áreas residenciais, instituições de ensino, hospitais e equipamentos culturais, tornou-se um dos principais destinos dos investimentos imobiliários na capital. O avanço dos empreendimentos modifica o cenário urbano e amplia a oferta de imóveis em uma região considerada estratégica para morar e investir.

Dados do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) mostram que, entre junho de 2025 e maio de 2026, foram lançados 4.748 apartamentos novos no distrito. Em um intervalo maior, considerando os 24 meses encerrados em maio deste ano, o número de unidades chega perto de 11 mil, consolidando a Vila Mariana como um dos mercados mais ativos da cidade.

Ao mesmo tempo em que novos edifícios ocupam espaços antes destinados a construções antigas, cresce o debate sobre os impactos da verticalização. Esse processo ganhou visibilidade por meio do documentário “Amora”, dirigido por Ana Petta, que retrata a mobilização de moradores de uma vila com casas quase centenárias diante da possibilidade de demolição dos imóveis.

O filme foi lançado em 2025, antes da demolição das casas, ocorrida no último dia 13, sábado da estreia do Brasil na Copa contra Marrocos. Segundo moradores, a intervenção ocorreu sem autorização da prefeitura. Eles afirmam que o alvará havia perdido a validade e que ainda seria possível recorrer da decisão do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), responsável por arquivar o processo de abertura do tombamento. O órgão entendeu que os imóveis apresentavam descaracterização e estado precário de conservação.

Localização fortalece expansão

Com população estimada em cerca de 130 mil habitantes, a Vila Mariana reúne características que explicam o interesse crescente do mercado. O distrito está conectado por três linhas de metrô, abriga importantes instituições de ensino superior, hospitais de referência e equipamentos culturais, além de ficar próximo aos parques Ibirapuera e Aclimação.

O valor dos imóveis acompanha essa valorização. Segundo o índice FipeZap, o preço médio do metro quadrado alcançou R$ 14.759 em junho, resultado aproximadamente 23% superior à média registrada na cidade de São Paulo.

Na comparação com outros bairros tradicionais, o desempenho também chama atenção. Entre junho de 2025 e maio de 2026, Pinheiros registrou 2.785 lançamentos imobiliários. Moema contabilizou 3.020 unidades, enquanto Perdizes somou 617 lançamentos no mesmo período.

Esse cenário atrai empresas como SKR, Vitacon, Trisul, Even e Helbor, que ampliaram seus investimentos na região com projetos voltados a diferentes perfis de consumidores.

Projetos apostam em diferenciação

Entre os empreendimentos lançados pela SKR está o Casa Ibirapuera, desenvolvido em parceria com a Cyrela. O projeto reúne apartamentos com vista para o Parque Ibirapuera e estrutura voltada ao lazer, incluindo wellness club, quadra de tênis, spa e lounge bar.

A incorporadora também desenvolve o Leaf, localizado na Rua Loefgren. O empreendimento reúne lajes corporativas, estúdios e apartamentos com metragens entre 125 e 165 metros quadrados.

Segundo Rodrigo Putinato, CEO da SKR, todas as unidades do Casa Ibirapuera já foram comercializadas. No Leaf, aproximadamente um quarto da oferta permanece disponível. Para o executivo, a região reúne atributos que favorecem produtos de padrão elevado, já que possui “metrô, faculdades e hospitais” e pede produtos “super diferenciados”.

“O Leaf tem vista incrível, lazer em andar alto, é um produto arquitetônico premiado”, diz. O empreendimento recebeu reconhecimento em 2022 no Urban Design and Architecture Design Awards pelo projeto desenvolvido pelo escritório Perkins & Will.

Novas demandas moldam os empreendimentos

Outra incorporadora com forte presença na região é a Vitacon. A empresa soma mais de 2.500 unidades na Vila Mariana, com Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em cerca de R$ 1,3 bilhão.

João Henrique Firmino, diretor de Marketing da companhia, afirma que os empreendimentos seguem o conceito já aplicado pela empresa em outras áreas da capital. Segundo ele, os projetos “têm o DNA dos demais da empresa na cidade” e atendem consumidores interessados em “mobilidade, vida comunitária e a integração das pessoas”.

A proximidade com universidades como Unifesp, ESPM e Belas Artes influencia diretamente o perfil dos moradores e orienta a criação de espaços compartilhados, áreas de convivência e ambientes adaptados ao trabalho remoto, incluindo estúdios para produção de podcasts.

Firmino destaca ainda que a empresa mantém “parcerias” com instituições como FGV e Insper para pesquisar hábitos de consumo e desenvolver soluções voltadas ao público. Entre as melhorias implementadas estão avanços na vedação acústica das unidades e a integração de diferentes serviços por meio de um único aplicativo.

Além do desempenho do mercado imobiliário, a Vila Mariana mantém indicadores sociais positivos. O Mapa da Desigualdade, elaborado pela Rede Nossa São Paulo, coloca o distrito entre os melhores da capital em áreas como saúde e mobilidade. A expectativa média de vida dos moradores chega a 79 anos, resultado que posiciona a região entre as cinco primeiras colocadas da cidade nesse indicador.

Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/vista-aerea-da-regiao-central-de-belo-horizonte-minas-gerais-brasil-edificios-comerciais_36338426.htm